

Ayatollah al-Uzma Imam Muhammad Shirazi é indubitavelmente o mais eminente Marje ou Autoridade Religiosa do mundo islâmico. Um líder carismático, conhecido pelos seus elevados valores morais e por sua modéstia e espiritualidade. Imam Shirazi é um mentor, uma fonte de inspiração para os muçulmanos e um meio de acesso ao autêntico conhecimento e aos ensinamentos do Islam. Ele dedicou toda a sua vida, de forma incansável, às questões relacionadas aos muçulmanos em particular e a humanidade em geral. Ele fez imensas contribuições nos vários campos do conhecimento, desde Jurisprudência e Teologia à Política, Economia, Leis, Sociologia e Direitos Humanos.
Nascido em Najaf, Iraque, em 1347 d.H/ 1928 d.C, o jovem Shirazi continuou os seus estudos em diferentes campos do conhecimento sob a orientação de diversos escolásticos e especialistas eminentes, bem como de seu pai, o famigerado Marje da época, Ayatollah al-Uzma Mirza Mahdi Shirazi. No decurso do seu treinamento, ele demonstrou um extraordinário talento e um insaciável apetite pelos estudos, bem como uma incansável dedicação ao seu trabalho e à causa em que ele acreditava. Sua extraordinária habilidade e dedicação lhe renderam o reconhecimento, aos 25 anos, pelos Maraje e escolásticos religiosos da época de ser um Mujtahid, um escolástico religioso totalmente qualificado e um legislador das ciências da lei e da jurisprudência islâmica. Posteriormente, ele assumiu a posição de Marje na tenra idade de 33 anos, em 1380 d.H/ 1961 d.C.
Imam Shirazi se destaca por sua habilidade intelectual e visão holística. Ele escreveu vários estudos especializados que são considerados como estando entre as mais importantes referências nas ciências islâmicas de crenças ou de doutrina, ética, política, economia, sociologia, lei, direitos humanos e etc. Ele enriqueceu o mundo com o impressionante número de mais de 1.000 livros, tratados e estudos sobre vários campos do conhecimento. Suas obras variam de simples livros de introdução endereçados as novas gerações a obras-primas da ciência e da literatura. Profundamente arraigadas no Alcorão Sagrado e nos ensinamentos do Profeta do Islam, sua visão e teorias abarcam áreas como Política, Economia, Governo, Administração, Sociologia, Teologia, Filosofia, História e Lei Islâmica. Sua obra sobre Jurisprudência Islâmica (série al-Fiqh), por exemplo, soma mais de 150 volumes com mais de 70.000 páginas. Através de suas idéias e pensamentos originais, ele promoveu a causa da família, dos direitos humanos, da liberdade de expressão, do pluralismo político, da não-violência e da Sharia ou sistema de liderança consultivo.
Ao longo da sua vida, por força da sua total dedicação aos Ensinamentos do Islam e em função dos seus pontos de vista em torno de várias questões, que eram baseados naqueles Ensinamentos, ele passou a sofrer coação da parte das autoridades tanto do Iraque quanto do Irã. Os seus pontos de vista e o seu chamado por valores como liberdade de expressão, pluralismo de partidos políticos, paz e não-violência provocaram a ira das autoridades iranianas. Sua posição inflexível no tocante a questão da implementação dos Ensinamentos do Islam em todas as esferas governamentais incluindo matérias fundamentais como, por exemplo, a liderança por consenso ou Shural-Fuqaha-al-Maraje (Conselho de Liderança das autoridades religiosas), atraiu a fúria daqueles que se encontravam no poder daquele país.
Ele foi condenado a prisão domiciliar por mais de vinte anos. Seus assistentes, seguidores e familiares foram submetidos à tortura, ameaças contínuas e prisões arbitrárias.
Tendo passado toda a sua vida adulta se esforçando por uma maior iluminação dos muçulmanos e da humanidade, Imam Shirazi morreu em circunstâncias suspeitas na cidade sagrada de Qom, Irã, numa segunda-feira, dia 2 de Shawwal do ano de 1422 da Hégira ou dia 17 de dezembro de 2001 da Era Cristã. Mais de quinhentas mil pessoas compareceram ao seu funeral no dia seguinte.
Imam Shirazi acredita na natureza fundamental e elementar da liberdade da humanidade. Ele advoga a liberdade de expressão, o pluralismo político, o debate, a discussão, a tolerância e o perdão. Ele acreditava piamente no sistema de liderança consultivo e advogava o estabelecimento do conselho de liderança de autoridades religiosas. Ele defendia continuamente o estabelecimento dum governo universal islâmico, abarcando todos os países islâmicos. Essas e outras idéias são discutidas em detalhes nos seus mais de 1.100 livros.