Ensinamentos do Islm
 

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Os Desafios diante da Família e da Sociedade

O Divórcio Ontem e Hoje

Antigamente, nos países islâmicos, era costume que os casamentos acontecessem num clima de mútuo consentimento e compatibilidade. Era a família quem procurava o par apropriado para os seus filhos no que tange a critérios como religião, valores morais, condição financeira e características físicas. Por essa razão, os casamentos na maioria das vezes eram bem sucedidos.

A escolha da família em hipótese alguma contrariava os desejos e a satisfação do futuro casal, mas as confirmava. Isso porque o conhecimento da família e as suas ligações com outros círculos familiares eram muito mais extensos do que os dos jovens. Ademais, a família, possuindo os meios para exercer pressão sobre a parte interessada em se divorciar poderia agir no sentido de impedir a separação do casal. Assim, as famílias atuam, verdadeiramente, como uma espécie de cordão de segurança contra os descuidos e as atitudes irrefletidas dos jovens, assim como nos é dito no Alcorão:

“Então apontai dois árbitros, uma da família dele e outro da família dela. Se ambos desejarem reconciliar-se, Allah os reconciliará” (4: 35).

Isso, porém, assim como tudo aquilo que Ele causa neste mundo, deve ser precedido pela ação humana, pois Deus se recusou a administrar os assuntos senão através das suas causas.

Há quarenta anos atrás, um dos responsáveis pelos casamentos e divórcios da cidade de Karbalá me disse que a média de divórcio de lá era de um ao ano. Hoje em dia, porém, depois que a sociedade foi invadida pelos valores ocidentais ou depois de ela ter se afundado na ocidentalização e na imitação cega de suas leis e costumes, são os jovens que escolhem os seus companheiros isoladamente e sem consultar os pais. Fica evidente que o critério para a escolha agora é um misto de emoção, atração sexual, inexperiência e imaturidade. Isso é alimentado pela pressão de tais valores, suas falsas noções de liberdade e seu ataque aos autênticos costumes que são descritos como reacionários, retrógrados e senis. Conseqüentemente, uma grande quantidade de casamentos termina em separação e divórcio.

Para aqueles que são vítimas dessas armadilhas, os prejuízos são enormes.

É por essas razões que se faz necessário o retorno ao estilo de vida islâmico de felicidade que os nossos ancestrais vivenciaram nas terras do Islam até meio século atrás.

A Conciliação é o Melhor

O predomínio de divórcios na última metade deste século se deve a uma série de motivos, incluindo:

  1. Um modo arbitrário e de visão a curto prazo de escolha de um companheiro para vida, em função de emoções e etc.
  2. Uma tendência em idealizar e em criar expectativas acima da realidade de uma parte para com a outra.
  3. A pressão das leis dos homens limitando as liberdades reais, as oportunidades de emprego, as viagens e a obtenção das mercadorias livres de impostos e etc.
  4. A disseminação de exibicionismo, mistura social entre os sexos, licenciosidade e depravação de tal sorte que um homem pode achar mulheres mais bonitas fisicamente do que a sua esposa e uma mulher pode encontrar homens preferíveis ao seu marido.
  5. O declínio dos limites impostos pela moral e pela religião, além de um afastamento do modo de vida islâmico.

Contudo, isso não obstante, é imperativo que os problemas conjugais sejam resolvidos sem que se recorra ao divórcio, pois o divórcio é descrito como sendo a mais detestável coisa permitida por Deus.

O emissário de Deus disse: “Não há coisa lícita mais amada aos olhos de Deus do que o casamento, nem há coisa lícita mais detestável aos olhos de Deus do que o divórcio” 1 .

Imam Sadiq disse: “Deus ama a casa onde haja matrimônio e odeia a cada na qual haja divórcio, pois não há coisa mais detestável aos olhos de Deus do que o divórcio” 2 .

Em outra tradição do Imam Sadiq, ele instrui: “Casai e não divorciai, pois o trono celeste balança em conseqüência do divórcio” 3 .

Então por que motivo Deus não proibiu o divórcio de uma vez?

A resposta é que a casa se tornaria um verdadeiro inferno na terra. Além disso, várias coisas contribuiriam para tornar a reconciliação impossível.

No caso da Igreja Cristã, quando ela proibiu o divórcio, milhões de homens e mulheres ficaram sem companheiros, depois de terem descoberto as suas naturezas incompatíveis. Assim, a corrupção, a licenciosidade e a devassidão floresceram, à medida que cada qual encontrou, no ambiente de “liberdades” venenosas promulgadas pelo Ocidente, toda sorte de meios para a prostituição e o adultério colocados à sua frente, enquanto tudo isso era encorajado pela mídia e a propaganda.

Não há dúvida de que se na sociedade houvesse instituições dedicadas à conciliação e conciliadores treinados agindo em conjunto com corpos caritativos, esses problemas que tanto danos causam à família, aos filhos e aos parentes envolvidos e que, certas vezes, podem acabar em assassinatos e suicídio, decerto seriam reduzidos.

Alguns advogados, que ignoram a Deus e não encontram nenhuma barreira da parte do governo e da sociedade, acabam explorando o desejo de uma das partes em se separar. Ele então enche os seus bolsos às expensas da religião, da consciência e da moral. Porém, se ele temesse a Deus, ele se apressaria em solucionar o litígio entre eles como indicado no Alcorão: “A conciliação é o melhor” (4: 128).

Poligamia: Uma Falsa Crise

A lei da natureza funciona de acordo com um perfeito equilíbrio de pares, como é dito no versículo corânico: “E Nós criamos tudo em pares para que mediteis” (51:49).

Entretanto, isso não significa, necessariamente, igualdade em termos de tipo, de sorte que cada par é incumbido de desempenhar o seu papel natural na vida. No mundo das abelhas e das formigas, a rainha – única capaz de procriação – é apenas uma, ao passo que os machos, que competem uns contra os outros pelo privilégio de fecundá-la, são vários. Isso é verdade para a maior parte do reino animal.

Os seres humanos não são exceção a essa regra. Eles têm as suas próprias peculiaridades, assim como qualquer outro ser vivo, e do mesmo modo que a vontade divina garantiu aos seres humanos uma perfeita compatibilidade em termos de tipo, do mesmo modo como fez com os outros seres, ela também definiu e moldou a humanidade de um modo particular a ela, de tal sorte que satisfação, concórdia e continuidade da espécie fossem asseguradas, com cada qual tendo a sua própria prova e sabedoria.

Dentre os ensinamentos do Imam Sadiq a al-Maffadal ibn Amr estão as suas palavras: “Os humanos não foram criados em masculino e feminino senão com o fito de torná-los aptos à reprodução... Se um dado organismo concebesse somente machos ou somente fêmeas, a reprodução cessaria e as espécies tornar-se-iam extintas. Conseqüentemente, parte da descendência vem como machos e a outra como fêmeas, de modo que a reprodução continue e não deixe de existir” . 4

Imam al-Rida, ao discorrer sobre a proibição do adultério e da violação da lei da natureza criada por Deus em harmonia com a espécie humana e as suas necessidades, disse: “Deus proibiu o adultério por força da corrupção que isso pode causar, desde assassinato e perda de linhagem a negligência do crescimento dos filhos e corrupção de heranças, além de outras formas de corrupção” . 5

É possível estabelecer não mais que os quatro seguintes sistemas maritais entre os dois sexos:

  1. Total liberdade sexual;
  2. Poliandria (matrimônio de uma mulher com vários homens);
  3. Monogamia;
  4. Poligamia.

Não há dúvida que os dois primeiros sistemas são ambos inválidos tanto do ponto de vista intelectual quanto do religioso, conforme demonstrado pelo relato precedente do Imam Rida. Portanto, só nos resta os dois últimos sistemas.

Estatísticas e levantamentos mostram que as mulheres excedem os homens em número, especialmente na idade da puberdade e maturidade sexual, conquanto algumas estatísticas, em alguns países, mostrem uma relativa paridade entre os sexos.

Quanto ao porquê da mulher exceder ao homem em número, isso é um dos segredos da natureza. Contudo, a sua sabedoria não deve passar despercebida a ninguém que reflita sobre a mesma.

Esse fenômeno também põe em evidência o fato de que as mulheres vivem por mais tempo do que os homens, talvez porque os homens, geralmente, se ocupam com trabalhos mais pesados, fato que pode diminuir o tempo de vida deles. Os homens são mais freqüentemente afetados por guerras, prisões e ausências prolongadas, o que exige o direito de divórcio da parte das mulheres na lei religiosa ou da parte dos homens quando estes sabem que não serão capazes de manter o relacionamento devido à prisão ou coisa semelhante.

Ademais, aqueles que estão desposando uma segunda, terceira ou quarta esposa, obviamente, não estão se casando com uma mulher casada, mas com uma solteira.

Qual é então o problema intelectual com respeito à poligamia?

Se nós não solucionarmos esse problema através da poligamia, nós teremos que ver mulheres sem maridos ou arranjando amantes, sendo que ambos casos são contrários à razão e à natureza.

Desde os primórdios do Islam e, por um bom tempo depois disso, não havia nenhuma barreira contra a poligamia. De fato, isso era algo absolutamente normal. Disputas entre esposas eram tão raras quanto disputas entre irmãs ou entre irmãs e filhas. Depois, porém, a coisa se tornou corrupta, da parte do homem através da sua opressão em relação às mulheres e da parte das mulheres por causa do seu desejo de favoritismo e em função dos benefícios em ser a única esposa. Então, a maioria das mulheres começou a desdenhar o conceito da poligamia em muitos países islâmicos, apesar de ela ser praticada sem o menor problema em países como o Chade, por exemplo.

É necessário, portanto, consertar esse quadro, de modo que tantas mulheres não sejam condenadas a “ficar para titia”, fato que constitui uma das maiores formas de opressão contra elas.

Se, por acaso, o marido de uma determinada mulher falecer, a sociedade deverá assumir a responsabilidade de facilitar o seu casamento como uma outra pessoa ou, em se tratando de divórcio, tentar concretizar o seu retorno ao seu antigo marido sempre que possível como é comum em países onde a poligamia é praticada.

O Profeta desposou a maioria das suas esposas depois de elas terem se divorciado dos seus respectivos maridos ou após a morte dos seus primeiros maridos, da forma como era praticado nos primórdios do Islam e por séculos a fio e como ainda continua a ser praticado hoje em dia em determinados países.

Não é uma injustiça que uma jovem ou uma mulher que tenha perdido o seu marido por meio de divórcio ou por força de algum acidente seja condenada a permanecer solteira quando ela é um ser humano com emoções relativas a sexo, moradia, filhos e etc? Na maioria dos casos, porém, costumes corruptos de alguns povos lhe negam tudo isso. Os costumes, contudo, se superados, cairão por terra. Tudo o que é preciso é um agente – um poderoso movimento na sociedade e uma autêntica cultura – para superar essa situação.

A Crise do Celibato

Atualmente nos países islâmicos, as mulheres estão sofrendo uma opressão social, uma vez que esses países adotaram tradições estrangeiras corruptas nesse campo vital da vida. A sociedade lhes oprime adiando o seu casamento, impedindo que elas se casem novamente após a morte dos seus respectivos maridos, quando a quantidade de mulheres solteiras é demasiado grande ou por qualquer outra razão. Tudo isso precisa ser superado com o retorno das tradições islâmicas às nossas terras, as quais estão em sintonia com a natureza e o intelecto. É importante também que a sociedade seja educada no sentido de harmonizar os caracteres do casal como precaução contra a separação e divórcio.

Esse problema de abundância de mulheres solteiras deve ser resolvido através da ação de organizações caritativas e de instituições sociais que se especializem nas demandas dessas crises e nos inúmeros problemas financeiros, médicos, psicológicos associados a elas. Uma mulher solteira está fadada a ficar exposta a doenças físicas e mentais como comprovado pela ciência. Em vários casos, nos quais a mulher solteira ficou sem meios de subsistência, ela recorreu à prostituição e a outras atividades criminosas como roubo etc.

É justo que uma grande parcela da sociedade permaneça nesse estado?

Simplificar o casamento aliado à prática da poligamia, a aplicação de fundos para a resolução dos problemas financeiros e as já mencionadas leis de precêdencia 6 e de propriedade de terra 7 , proverá uma solução islâmica para esse problema. Entretanto, em função da ausência da vital lei islâmica, não há nenhuma alternativa para organizações caritativas e casamentos em massa como um meio de solucionar esses problemas na proporção que seria desejável. Não obstante, de gotas d'águas e grãos de areias são formados oceanos e desertos.

Um grupo de amigos meus de Teerã presenciou o casamento de mil jovens de uma vez só. O mesmo ocorreu com outro grupo na província oriental do Hijaz, onde foi organizado o casamento de 300 pessoas.

Está claro que: “A complexidade de uma determinada tarefa não deve impedir a tentativa da realização da mesma tarefa” 8 e “Aquilo que não é plenamente realizável como um todo, não deve ser descartado completamente” 9 . Esses talvez são os melhores princípios a serem seguidos no tocante a esses problemas.

Controle de Natalidade: Quem está por trás disso?

O emissário de Allah declarou: “Casai, procriai e proliferai!” 10 . Ele também disse: “Casai, procriai e proliferai, de modo que eu fique orgulhoso de vós como uma nação no Dia do Juízo, mesmo que a criança seja natimorto” . 11

Essas duas declarações contêm leis, ainda que sob forma de recomendações, que, como todas as recomendações, só devem ser negligenciada em casos de extrema necessidade. A oração da meia-noite, por exemplo, é um ato recomendável que não perde o seu status como tal senão em caso de necessidade. O mesmo se aplica à proliferação de descendência.

O que está ocorrendo hoje em dia, contudo, vai contra isso completamente. A idéia de proliferação se tornou estranha aos muçulmanos, ao passo que a noção de controle da natalidade, outrora abominável para nós, tomou o seu lugar. Mesmo nos períodos mais desesperadores da história islâmica, nenhum promotor dessas idéias, que vão contra o intelecto e a natureza, era testemunhado. É verdade que alguns governantes costumavam cometer atos vis, mas a lei do Islam continuava em vigor, geralmente, por toda a sociedade, onde a economia era islâmica assim como o resto da sociedade. Hoje, porém, depois da aparição do colonialismo ocidental em nossas terras, tudo foi subvertido. Coisas ilícitas se tornaram permissíveis. Jogos de azar se tornaram correntes. Impostos e tributos, fronteiras geográficas, supressão de liberdades, opressão, terrorismo e impedimento do cumprimento da peregrinação Hajj se tornaram lícitos. Nessa atmosfera de oposição ao Islam surge um chamado do Ocidente para os muçulmanos praticarem o controle de natalidade usando o subterfúgio da diminuição do nível econômico da família e a queda no PIB dos países que, por sua vez, não conseguem cumprir a sua função de prover suficientes escolas, hospitais e outros serviços sociais. Entrementes, eles próprios no Ocidente estão encorajando os seus filhos a se casarem cedo e a se propagarem. Essa propaganda de incentivo ao casamento e à concepção de filhos começa com a instrução dos filhos num nível primário em diante. Há entre os líderes ocidentais um grande temor de que as nações européias estejam a caminho da extinção caso a tendência negativa no crescimento populacional continue a existir. Eles também estão cientes que a principal causa dessa tendência é a promoção do controle de natalidade que se disseminou por toda a Europa durante a década de 60 e que fixou na mente do europeu a noção de que ter filhos é um ato equivocado. Os europeus continuaram a alimentar essa noção dentro de si até o momento em que a taxa de natalidade começou a cair.

Hoje, eles perceberam que o problema não reside no ato de se ter filhos, mas na promoção do próprio controle de natalidade. Infelizmente, eles exportaram essa propaganda para nós, depois de terem experimentado a tragédia na sua própria pele. Eles vieram para o mundo islâmico conclamando os muçulmanos ao controle de natalidade.

Vamos examinar o objetivo do Ocidente no seu chamado pelo controle de natalidade. O objetivo é levar os muçulmanos ao declínio. Nisso eles encontraram a mais efetiva e mais devastadora arma capaz de enfraquecer os muçulmanos após o malogro de todas as outras armas. Nós gostaríamos de saber por que o Ocidente não demanda que os judeus na Palestina pratiquem o controle de natalidade? Por que nós não vemos os judeus dando a menor atenção a essa propaganda? Por que o estado de Israel encoraja fervorosamente a concepção de filhos de tal modo que se tornou lugar-comum, de acordo com jornalistas visitantes, a visão de mulheres grávidas passeando pelas ruas ou então ensinando, fazendo compras e trabalhando até mesmo como policiais? Por que motivo o estado de Israel proíbe o controle de natalidade, enquanto nós muçulmanos o permitimos, sendo que alguns de nós pensamos que isso é compulsório como o jejum e a oração? O caso do controle de natalidade é propaganda política que visa a enfraquecer os muçulmanos. Isso não tem nenhuma correlação com economia como é alegado.

Nós nos perguntamos: por que o controle de natalidade? Será que é porque as leis de Allah se modificaram no universo? Será que a natureza e a criação de Allah foram substituídas? Ou será que é que as leis de Allah se aplicam apenas a uma época particular e não numa outra? Isso é por que nós não temos terra, água, recursos ou oportunidades suficientes?

O mundo islâmico abarca vastas terras propícias à agricultura e ao desenvolvimento. Ele também possui uma grande reserva de água e goza de um potencial e de uma monta de recursos incomensuráveis.

É, por conseguinte, errado se conclamar a favor do controle de natalidade, uma vez que não há nenhuma necessidade disso.

O Iraque, por exemplo, que costumava ser conhecido como “A Terra Fértil” alimentava milhões de pessoas durante o período Abássida, de acordo com alguns historiadores. Atualmente, a população iraquiana não passa de metade do número daquela época. Um país como o Sudão, provavelmente, seria capaz de alimentar todo o continente africano a partir das terras aráveis e dos recursos hídricos que possui. O mesmo pode ser dito do resto das terras islâmicas que possuem uma enorme quantidade de terras agriculturáveis, minerais e riqueza petrolífera.

Para aonde esses recursos estão indo? Por que essas riquezas se estagnaram? Essas perguntas precisam ser respondidas. Esse é o problema que precisa ser resolvido. Todos os outros problemas emanam desse problema. A explosão populacional, as crises econômicas, o subdesenvolvimento e a falta de visão política emanam, todos eles, da tirania, da opressão, da ditadura e do despotismo dos governantes, do controle destes sobre os muçulmanos e da sua administração dos assuntos da região de acordo com os seus vão desejos e não de acordo com um planejamento são e com os interesses do povo.

Um exemplo de tais ditaduras nas terras islâmicas – Saddam – roubou, de acordo com algumas estatísticas, 300 bilhões de dólares do povo, sem falar os rios de dinheiro que ele destruiu em guerras sanguinárias. Se nós somássemos a isso os peculatos dos outros governantes ao longo da história nas terras islâmicas, então imagine a quantidade de dinheiro dos muçulmanos que foi queimado para satisfazer os desejos e os caprichos desses governantes?

Quando um governante rouba os meios de subsistência da população, ele deve ser chamado à prestação de contas e confrontado com o problema e lhe ser dito que ele é um ladrão que deve restituir o dinheiro do povo. Isso é o que deve ser feito e não pedir para o povo sofrer fome e, então, aconselhá-los a não se casarem e a não ter filhos por não existir comida suficiente para todos.

Grande parte da riqueza dos países islâmicos foi drenada para os países do Ocidente. Estatísticas mostram que 1/5 da humanidade (aqueles que vivem nos países industrializados) consomem 4/5 dos recursos do mundo, ao passo que os 4/5 restantes – os pobres que vivem no chamado terceiro mundo – só consomem 1/5 daqueles recursos.

Aqui reside a Catástrofe

A falta de justiça no mundo e a negligência das leis islâmicas de desenvolvimento como as já mencionadas leis de precedência 12 e de propriedade de terra 13 . A força repressiva do governo e o seu controle dos negócios de Estado. O excesso de burocratas que negam as liberdades das pessoas. A má distribuição de renda. A ausência de uma oposição efetiva. Os pobres são espoliados e a sua nobreza, destruída. Eles nos negam uma voz, então nos negam comida e, hoje em dia, nós somos instruídos a pararmos de ter filhos. O problema da progênie pode ser resolvido dentro do contexto de um sistema islâmico baseado na justiça e no pluralismo. Através da justiça, o Islam põe fim à pobreza e diminui o vão entre pobres e ricos, governantes e súditos. Através do pluralismo, o povo adquire uma voz retumbante que lhe é altamente útil.

A visão islâmica da humanidade difere em muito daquela dos outros sistemas. Alguns sistemas vêem o homem como um pesado ônus e considera cada recém nascido como um hóspede indesejado ou ainda como mais uma boca a ser alimentada. O Alcorão vê o homem como a mais poderosa criatura sobre a face da terra e a chave para o progresso neste mundo: “O homem não obtém senão o fruto do seu proceder; e que o seu proceder será examinado; então ele será recompensado com uma recompensa completa” (53: 39-40).

O Islam vê cada nova criação como um meio para o progresso e o desenvolvimento. Nas palavras atribuídas ao Imam Ali: “Vós pensais que vós sois um mero microorganismo? Enquanto em vós está escondido o domínio” 14 .

O Profeta via em cada concepção um novo motivo para se orgulhar ante as outras nações do mundo, mesmo que o filho fosse natimorto e não tivessem vida alguma. Não foi ele quem disse: “Casai, procriai e proliferai, de modo que eu me orgulhe de vós como uma nação no Dia do Juízo, mesmo que o filho seja natimorto” 15 .

Aquele filho pode se tornar um escolástico ou um inventor ou um engenheiro ou qualquer outra coisa. Ele acrescentará algo à vida com o seu potencial para o trabalho ou acrescentará um novo valor ou um novo gênio à história. A vida não é feita de máquinas e equipamentos, mas da inteligência dos homens. A vida também não é administrada por satélites ou computadores, mas pela inteligência dos homens e cada novo bebê é um novo intelecto, um novo braço e um novo passo adiante. Então, por que todo esse medo? Não foi o próprio Allah que nos prometeu e sua promessa é boa e verdadeira: “Nós proveremos sustento para eles e para vós” (17: 31).

Ele também disse: “Casai aqueles dentre vós que estão solteiros e os virtuosos dentre os vossos servos e servas. Se eles forem pobres, Allah os enriquecerá com a Sua graça” (24: 32).

O casamento erradica pobreza e filhos são causa de incremento de renda familiar. Essa é a lógica do Alcorão e da Sagrada Lei. Quanto àqueles que crêem no contrário, que acreditam que o casamento e a concepção de filhos diminuem a renda, eles estão distantes de Allah, do Alcorão e da lógica do intelecto e da razão.

1. Suplemento ao Guia Shia, vol. 3, p. 2.

2. Guia Shia, vol. 15, p. 267.

3. Guia Shia, vol. 15, p. 267.

4. Extratos de “O Tawhid de al-Mafdal Ibn Amar al-Gafiyy”.

5. Oceanos de Luzes, vol. 6, p. 98.

6. Guia Shia, vol. 17, p. 382.

7. Os Ramos Completos da Religião, vol. 5, p. 279.

8. Guia Shia, vol. 13, p. 368.

9. Oceanos de Luzes, vol. 59, p. 283.

10. Suplemento ao Guia Shia, vol. 14, p. 152.

11. Navio dos Mares, vol. 1, p. 561.

12. Guia Shia, vol. 17, p. 328.

13. Os Ramos Completos da Religião, vol. 5, p. 279.

14. O Diwan do Imam Ali.

15. Navio dos Mares, vol. 1, p. 561.

 


 
 
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