Sobre o Status da Mulher no Islam
Por
Imam Muhammad Shirazi
Este artigo foi extraído do livro “Governo Islâmico”, pp. 104-123, volume 102 da série al-Fiqh
É imperativo que o (futuro) governo islâmico e, antes deste, o movimento islâmico, honre e observe o status da mulher, pois ela representa metade da sociedade – por convenção – sendo que as estatísticas indicam que, geralmente, as mulheres superam os homens em número. Os versículos corânicos concernentes às mulheres, bem como as tradições purificadas do Mensageiro de Allah (S) fazem referência ao status da mulher da mesma forma como o fazem ao do homem.
Allah declara no Alcorão Sagrado:
“Quanto aos muçulmanos e às muçulmanas, aos crentes e às crentes, aos devotos e às devotas, aos verazes e às verazes, aos homens e mulheres que são pacientes e constantes, aos homens e mulheres que dão em caridade, aos homens e mulheres que jejuam (e negam a si próprios), aos homens e mulheres que conservam a sua castidade, aos homens e mulheres que se engajam muito em louvor a Allah; para estes Allah tem preparado misericórdia e uma extraordinária recompensa”1.
E
“e se fordes vos comunicar com elas, fazei-o ...
[E quando fordes perguntar (às suas damas) por algo que desejardes, fazei-o por detrás de uma tela]”2.
E
“e que elas estendam seus véus sobre seus seios”3.
E
“e permaneceis em vossas casas e não fazeis exibições exuberantes como aquelas da Época da Ignorância”4.
E
“E as mulheres devem ter direitos similares aos seus deveres, de acordo com aquilo que é eqüitativo; mas o homem possui um grau sobre elas”5.
Tanto o Oriente quanto o Ocidente têm insultado a mulher. O mundo pré-islâmico também havia insultado a mulher, mas esta não é a nossa preocupação aqui, visto que essa época já passou e ela já foi muito bem documentada nos livros de história.
Quanto aos insultos contra a mulher pelo mundo moderno, eles se manifestam das mais variadas formas, tais como:
- Transformando-as num objeto sexual dos homens e não a reconhecendo como um ser humano que possui a sua própria honra e dignidade. Aqueles que clamam pela não cobertura da mulher e pela exibição do seu corpo e da sua beleza (em público), o fazem unicamente para a satisfação dos seus desejos sexuais e nada mais.
- Transformá-las em uma mercadoria ou em um meio de vender as suas mercadorias e para obter ganhos econômicos, sociais e políticos. Por conseguinte, nós vemos mulheres aparecendo nuas ou seminuas em anúncios, jornais, revistas, na televisão e por aí vai. Isso constitui respeito pelas mulheres?
- Transformá-la numa prostituta. Isso pode ser observado até mesmo com as colegiais, em adição aos prostíbulos públicos que são disseminados por todos os países do mundo. Em alguns países onde não se permite que eles funcionem abertamente, eles operam clandestinamente e o efeito é o mesmo.
- Engajá-las em trabalhos duros e pesados que são incompatíveis com a sua ternura. Além do fato de ela receber menos que o homem (pelo mesmo emprego exercido), o que já foi discutido em “Vestígios da Civilização Islâmica como eu a vi”6.
- Sua impossibilidade, em vários casos, de ter uma afetuosa e amável família. Isso se deve em parte pelo fato de a mulher se tornar tão disponível à satisfação dos desejos carnais do homem, que nenhum jovem sente a responsabilidade de formar uma família e de “correr atrás do prejuízo”.
- Mulheres permanecendo solteiras em vários casos.
Tudo isso provoca estresse e doenças físicas e mentais, como já comprovado por psiquiatras e cientistas médicos. É obvio que nessa questão a sociedade pode prestar algum tipo de ajuda, porém isso não está sendo direcionado ao cerne do problema.
Por outro lado, o Hijab (véu islâmico) impõe-se como uma barreira para muitos dos problemas citados aqui. Conseqüentemente, quando a mulher observa o Hijab, ela não precisa enfrentar tais problemas, conferindo-lhe respeito e dignidade como um ser humano e como uma pessoa igual (em dignidade) ao homem. O Hijab fortalece a relação entre o marido e a sua esposa ao reduzir a tentação de se ter encontros com outras mulheres livremente. Nesse sentido, a família viverá numa atmosfera de amor e de fraternidade.
Um poeta certa vez clamou:
Este Hijab é um pesado ônus,
que se estabeleceu entre a mulher e a humanidade,
aprisioná-la em casa fracassou.
Esse indivíduo também disse que assim como o homem tem o direito de se casar com quatro mulheres, as mulheres também deveriam possuir o direito de ter quatro maridos. Quando lhe foi dito que, nesse caso, então que ele deixasse a sua mulher se casar com mais três homens, ele voltou atrás e se retratou daquilo que havia publicado a esse respeito.
Outro indivíduo comparou o Hijab a um saco sobre a mulher e que ele era como a mortalha usada para cobrir o cadáver, usada pelas mulheres enquanto elas estavam vivas. A pessoa em questão aqui é o Xá do Irã. Ao declarar isso, ele não queria senão abusar delas e satisfazer os seus desejos. Ele rebaixou a mulher ao mais ínfimo nível. Durante o seu reinado, os prostíbulos eram disseminados por todas as cidades iranianas. O número de divórcios aumentou vertiginosamente e a quantidade de homens e mulheres solteiros atingiu o seu ápice.
Portanto, se uma nação quiser respeitar as mulheres e pôr um fim aos prostíbulos, e se se deseja resguardar a mulher da condição demeritória de ser uma mera mercadoria ou um anúncio e repelir dela as doenças; e se se quiser libertá-la da exploração e dos exploradores e acolhê-la no seio de uma afetuosa família como uma outra filha, irmã ou esposa, é imperativo que se dê atenção ao Hijab. Não o Hijab no sentido em que ele é proclamado por aqueles que desejam satisfazer os seus desejos através do aprisionamento e repressão delas, mas o Hijab como definido pelo Livro e pela Sunnah e como implementado pelo Mensageiro de Allah (S) e os Imams infalíveis (A). O Hijab é um elemento que contribui para o casamento das jovens, para o amor dos seus maridos para com elas, à estabilidade da família, ao crescimento saudável dos filhos, à saúde da sociedade, física e mentalmente, etc.
- Quanto a ele ser um fator contributivo para o casamento das jovens, quando os jovens não têm a oportunidade de satisfazer os seus desejos sexuais livremente (após se encontrarem com garotas) em escolas, piscinas mistas, cinemas, clubes e em bares, eles vão considerar mais seriamente a possibilidade do casamento.
- Quanto ao Hijab ser um fator contributivo para o incremento do amor do marido para com a sua esposa, quando o homem não vê outras mulheres além da sua esposa, o seu fervor para com ela irá se intensificar vertiginosamente e tal ardor é um dos fatores mais importantes numa relação a dois. Por tais razões, o Islam, por exemplo, desencoraja a ocorrência das preliminares entre os parceiros enquanto totalmente nus como uma forma de intensificar e/ou manter o vigor do marido para com a sua esposa, mesmo que depois do sexo.
- Quanto a ele contribuir para a estabilidade da família, com o Hijab prevalecendo na sociedade, o homem não verá ou se encontrará com mulheres mais atrativas do que a sua esposa, o que o tentaria a ponto de isso destruir a sua família, fazendo com que o marido deixe a sua esposa por uma outra, levando à separação e ao divórcio. Assim, a família permanece segura e tranqüila, o que pode ser notado nos “castos” países islâmicos, onde os casos de divórcio são bastante reduzidos por causa do Hijab e da estrutura familiar, ao passo que nos países ocidentais os índices de divórcio e de desintegração familiar são tão altos que eles acabaram se tornando um motivo de grande preocupação para os intelectuais e líderes daquelas sociedades. Assim como os países ocidentais, alguns países islâmicos que seguiram a moda daqueles países e copiaram as políticas do Ocidente no seu tratamento para com as mulheres, promiscuidade e etc., também têm sofrido os mesmos problemas.
- Quanto ao Hijab ser um fator contributivo para o saudável crescimento dos filhos, uma mulher que não está sujeita a abusos e a tratamentos indignos de exploradores e pervertidos estará mais concentrada e devotada aos seus filhos e à sua família do que a mulher que se despojou do Hijab e fez amizades e relações com outros homens.
- Quanto às enfermidades, já foi mencionado anteriormente que as discotecas e os prostíbulos são o centro de diversas doenças, que disseminam as mesmas por toda a comunidade. É algo natural que tais locais, que se proliferaram em vários países do mundo, disseminem aquelas doenças no seio da comunidade. Estatísticas perturbadoras são publicadas nesse sentido, contudo, as análises de tais estatísticas está fora do escopo deste artigo.
Por outro lado no Islam existe o conceito de poligamia, a diferença na taxa de herança e a compensação, a diferença do testemunho, o homem sendo considerado o mantenedor da família e o fato de a mulher não poder ser uma juíza ou uma líder para os homens. Em todos esses casos, se não houvesse tal legislação, isso resultaria em opressão tanto contra o homem como contra as mulheres. A seguir, são discutidas as razões por trás dos casos acima citados para demonstrar os benefícios do sistema proposto pelo Islam e os prejuízos causados pelos sistemas seculares.
- Quanto à poligamia, alguém poderá perguntar: quando um homem se casa com a sua segunda, terceira e quarta esposa, elas são solteiras ou casadas? Obviamente, elas são solteiras. Agora, qual das duas opções é preferível, que a segunda, a terceira e a quarta permaneçam solteiras e sem nenhum marido ou que elas se casem com um? Com efeito, se nós não tivéssemos a lei da poligamia teria havido opressão e injustiça contra a mulher e, secundariamente, contra o homem que possui condições de provê-la física, mental e materialmente. Por que motivo tal habilidade e potencial deve ser desperdiçado? É claro, tem havido homens que maltratam e abusam das mulheres neste processo. Isso constitui um desvio da justiça e uma manifestação de opressão, mas essa é a exceção e não a regra. Em Chade, por exemplo, a poligamia é praticada até mesmo pelos cristãos, sendo que o papa permitiu, excepcionalmente, que eles a praticassem. Naquele país, geralmente, nem mesmo uma única mulher permanece solteira, visto que os homens não abusam da mulher se ela for a sua segunda, terceira ou quarta esposa. As esposas conduzem as suas atividades como se fossem irmãs de uma única família, com a harmonia e o respeito imperando entre elas.
- Quanto a menor taxa de herança, nem sempre isso acontece. Pode ser observado na Jurisprudência Islâmica que dependendo de certas circunstâncias, a herança da mulher pode ser menor, igual ou maior que a do homem7. Via de regra, nos casos em que a herança do homem foi prescrita como sendo maior que a da mulher, isso acontece porque os deveres do homem foram estabelecidos como sendo maiores do que os da mulher. {A porção do homem é o dobro do da mulher}8. Geralmente, as despesas da mulher, seja ela uma filha, mãe ou esposa, fica sob responsabilidade do homem. Conseqüentemente, a ele é dado uma parcela maior, de modo que ele possa cumprir com as suas responsabilidades. A razão pela qual as despesas e a manutenção são dadas ao homem é porque a ele foi designado a função de trabalhar e de gerar renda, e a mulher, primariamente, recebeu a função da criação, educação e manutenção da casa. E isso foi feito de acordo com as suas respectivas naturezas. Com efeito, não seria justo, em questões pecuniárias, conceder porções igualitárias a ambos.
- E esta é razão por trás da sua menor compensação. Isso é baseado unicamente em fatores econômicos e não em função do fato de o homem e da mulher não serem iguais como seres humanos. Quem tem menos deveres a cumprir recebe menos, de modo que as duas questões sejam complementadas.
- Quanto à função de mantenedor ter sido conferida ao homem, toda sociedade necessita de um administrador para administrar os seus assuntos e isso vale até mesmo para comunidades pequenas como a família. A comunidade não poderá se manter sem a liderança ou de um homem ou de uma mulher ou de ambos conjuntamente. A questão da liderança deve, por um lado, ser dado ou ao homem ou à mulher ou a ambos, ou, por outro lado, não haverá liderança alguma. Se ela for dada ao homem, isso estará dentro da sua habilidade intelectual. Se ela for dada à mulher, se estará dando uma função intelectual a uma pessoa, via de regra, sentimental e emocional. Se ela for dada a ambos, isso resultará em disputas e litígios. Quanto ao quarto caso, isso significaria que a sociedade não é administrada. Com efeito, a opção mais viável a qualquer comunidade é a primeira.
- Quanto a sua condição de testemunha, desde que ela é, via de regra, mais sentimental e emocional que o homem, ela tende a ficar mais envolvida emocionalmente, além de possuir um forte senso de sentimentalidade. Essa característica a torna mais qualificada à função de criar e educar os filhos, bem como para administrar os assuntos domésticos, os quais não demandam vigor. A sentimentalidade contradiz a racionalidade de prestar testemunho e, por essa razão, Allah declara: “Se uma delas se equivocar a outra a recordará...”9.
- E pela razão acima, a questão da sua aptidão para a liderança e para o judiciário é levantada. Como evidência adicional disso, apesar do fato de que, de acordo com as leis seculares, a mulher pode assumir postos de liderança e do judiciário, ela não consegue preencher esses postos senão em casos isolados. Isso nos locais onde ela obteve a oportunidade, de acordo com a lei, de preencher esses cargos. É claro, tais exceções não são provas (da sua aptidão para tais cargos).
Por outro lado, embora ela não possua direitos como os dos homens (devido ao fato de ser mais sentimental e de ter menor responsabilidade econômicas10 do que o homem), ela possui muitos outros direitos que os homens não possuem. Por exemplo, lutar em combate não é compulsório para ela, a oração em congregação lhe é opcional, sua punição por blasfêmia é menor que a do homem e ela também recebe dote no casamento. Via de regra, ela recebe sustento do seu pai, do seu filho ou do seu marido; ela pode exigir pagamento por amamentação. Além disso, ela atinge a adolescência mais cedo do que o homem, o que lhe é vantajoso, visto que a sua personalidade social e o seu status econômico se materializam aos dez anos de idade, ao passo que o homem adquire tais atributos aos quinze anos. Por outro lado, ela se aposenta mais cedo do que o homem.
Afora as diferenças mencionadas acima, o homem e a mulher são, usualmente, tratados de forma igualitária em todos os atos de adoração, tais como: purificação, orações, jejum, Hajj, Zakat, Khums, itikaf (onde uma pessoa fica em uma mesquita durante alguns dias passando todo o seu tempo consagrado a orações e meditações) nas Mesquitas e etc. Evidentemente, ela é isenta de tais obrigações como orações durante a menstruação e o período puerpério (o período de no máximo dez dias após o parto), em reconhecimento pela sua responsabilidade na administração do lar e na criação dos filhos e etc., uma vez que cada direito é associado a um dever e vice-versa.
A mulher também é igual ao homem no que diz respeito ao comércio e aos negócios, nas leis da busca do permissível; ensinar, aprender, ser uma médica ou administradora, uma enfermeira ou uma líder de oração para as mulheres, etc. A mulher também é igual ao homem no que concerne à punição e compensação, salvo nos casos excepcionais mencionados anteriormente. Ela também é igual ao homem no tocante à feitura do testamento, tutela dos filhos se os seus pais tiverem morrido, etc.
Diante desses fatos fica claro que o Islam confere à mulher os seus direitos naturais e a honra e o respeito que o Oriente e o Ocidente jamais sonhou em dar.
Além disso, o Ocidente tem insultado a mulher num nível jamais visto até mesmo nas sociedades mais primitivas.
Alguém poderá dizer que pessoas ignorantes costumavam assassinar suas filhas. A resposta é que elas costumavam assassinar os seus filhos também, como declarado no Alcorão:
“Não mateis vossos filhos sob o pretexto da pobreza – Nós concedemos sustento a vós e a eles”11 e
“Não mateis vossos filhos por temor à pobreza: Nós concederemos sustento a eles assim como a vós. Certamente, o assassinato deles constitui um grave pecado”12 e
“E quando a filha enterrada viva for questionada”13.
Com efeito, o governo islâmico e antes deste, o movimento islâmico, deve tomar uma série de medidas visando a observar a honra e a dignidade da mulher, bem como outras questões ligadas a elas, como por exemplo:
- Disponibilizar educação religiosa moderna e correta para as jovens.
- Educar e ajudar as mulheres jovens a se casarem, de modo que elas não permaneçam solteiras.
- Fundar centros de enfermagem e maternidade.
- Fazê-las participar em todos os aspectos da sociedade, exceto aqueles mencionados acima que, no interesse da sua natureza e da sociedade, o Islam não prescreve para elas.
- Organizar os seus assuntos sob à luz do Marje ou “Autoridade Religiosa” para que elas não sejam desviadas por redes e organizações seculares.
- Engajá-las em profissões condignas, de acordo com a sua habilidade e o seu tempo livre, visto que a sua condição econômica aumentará o seu status social.
- Construir mesquitas e outros centros religiosos especialmente para mulheres. Na cidade sagrada de Medina, o Profeta Muhammad (S) nomeou Umm Waqarah como líder de oração para as mulheres, em paralelo com as orações que ele liderava. Também durante o reino de Imam Ali (A), havia mesquitas para mulheres na capital Kufa.
- Formar um adequado grupo de mulheres para estudar ciências religiosas, de modo que haja suficiente número de pregadoras, conferencistas, escritoras e professoras para outras mulheres.
- Fundar organizações especiais para o entretenimento de idosas que são referidas no Alcorão como Qawa’id. Isso para que elas não se sintam estranhas e deprimidas. É, de fato, errado estabelecer asilos para elas, pois essas mulheres devem permanecer na comunidade, honradas e respeitadas nas suas casas e com seus filhos e netos. Colocá-las em asilos é um ato que demonstra aquilo que a sociedade pensa a respeito delas, constituindo um dos maiores insultos que poderia ser cometido contra as mesmas. E o mesmo vale para os idosos.
- Atenção e cuidados especiais devem ser dados às divorciadas até que elas se casem novamente. Isso deve ser aplicado também a viúvas e a mulheres cujo casamento tenha sido anulado, etc.
- Formar fundos especiais para atendimento de todas as necessidades e questões ligadas à mulher, desde o berço até o túmulo.
- Resgatar as mulheres que se entregaram a práticas imorais, que foram seduzidas por organizações seculares ou que são vítimas de comunidades corruptas e facilitar o seu retorno (ao seio da sociedade) como mulheres dignas, providenciar para que elas se casem e levem uma vida honrada – assim como o Imam Ali (A) fez quando assumiu o governo em Kufa.
- Ajudar as mulheres a resolverem os seus problemas com seus parentes e membros da família ou qualquer outro problema social.
- Respeitar e honrá-la de uma maneira dignificante e não insultá-la de nenhuma maneira. Houve uma onda de desrespeito contra mulheres quando, por exemplo, durante épocas específicas, as mulheres não tinham permissão para entrar em alguns locais religiosos ou eram solicitadas a deixarem as mesquitas quando estas lotavam. O Mensageiro de Allah (S) é o nosso exemplo em todos os seus atos e ditos. O Mensageiro de Allah (S) estabeleceu a Hajj tanto para os homens como para as mulheres, concomitantemente. As mulheres costumavam acompanhar os seus discursos nas mesquitas junto com os homens, além de realizar as orações. Quando ele viajava ou partia para o combate, ele permitia que as mulheres o acompanhassem. Todos esses casos são registrados em inúmeras narrações e documentos históricos. Tudo isso demonstra a honra e o respeito que o Mensageiro de Allah (S) tinha pelas mulheres. No final deste artigo, alguns relatos e narrações concernentes ao status da mulher são apresentados com a ajuda de Allah.
Imam Sadiq (A) é narrado dizendo: “O Mensageiro de Allah (S) disse: os melhores dentre os seus filhos são as mulheres (pois elas são) tenras, bem-aventuradas e amáveis”.
Imam Sadiq (A) é narrado dizendo: “O Mensageiro de Allah (S) disse: aquele que provê sustento e manutenção a três filhas ou a três irmãs, sua admissão no Paraíso é garantida. Perguntaram-lhe: “e quanto a duas?”. Ele disse: “mesmo duas”. Depois perguntaram-lhe: “e quanto a uma somente?” e ele respondeu: “mesmo que apenas uma”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “aquele que tem três filhas e perseverou sob sua adversidade, estresse e alegria, será protegido no Dia do Juízo”.
O Mensageiro de Allah (S) é relatado dizendo: “aquele que provê e sustenta três filhas ou três irmãs e que perseverou sob a adversidade delas até que elas se casem ou faleçam, eu e ele somos como esses dois”, apontando para os seus dedos indicador e mediano. O Mensageiro de Allah (S) foi perguntado se fosse apenas duas e ele respondeu: “mesmo se forem duas”. Perguntaram-lhe novamente: “e se fosse uma”, e o Mensageiro de Allah (S) respondeu: “mesmo que seja uma”.
Numa conversa com Imam Sadiq (A), um dos seus companheiros expressou o seu desapontamento pelo fato de a sua mulher ter dado à luz a uma menina. O Imam disse a ele: “talvez vós estejais triste por causa disso, mas Allah declara: ‘Vós não sabeis se são os vossos pais ou os vossos filhos mais próximos de vós em benefício’”14.
Em outra narração um homem estava na companhia do Mensageiro de Allah (S), quando foi informado que a sua mulher havia dado à luz a uma menina. Ele estava visivelmente infeliz e o Mensageiro de Allah (S) lhe perguntou a razão de tal atitude. O homem lhe contou as boas-novas e o Mensageiro de Allah (S) disse, em resposta: “A terra a ampara, o céu a protege, Allah a sustenta e ela é uma reihaanih (flor de odor agradável)”.
Um dos companheiros do Imam Sadiq (A) disse: “O Imam protestou contra mim, dizendo: ‘Eu ouvi dizer que estás descontente com vossa filha. O que ela vos fez? Ela é como uma reihaanih (flor de cheiro agradável) que é sustentada por Allah e (ademais) o Mensageiro de Allah (S) foi pai de várias filhas’”.
Em outra ocasião, um dos companheiros do Imam Sadiq (A) cuja esposa havia dado à luz a uma menina, foi ver o Imam. Quando o Imam o encontrou infeliz quanto a isso, ele lhe perguntou: “Se Allah vos revelasse que ‘ou Eu escolhesse para vós ou que vós escolhesses para si próprio’, o que optaríeis?” Ele respondeu: “Eu diria ‘Ó Senhor, Tu escolhes por mim’”. O Imam continuou dizendo: “Na história de Moisés que acompanhou o guia/escolástico que assassinou o filho de uma família como relatado no Alcorão: ‘Nós desejamos que o seu Senhor os agraciasse, em troca, (com um filho) melhor em pureza (de conduta) e mais próximo em afeição’.15 Allah trocou o filho por uma filha de cuja descendência surgiram setenta profetas”.
Em outro relato, um dos companheiros do Imam Sadiq (A) lhe disse: “Eu tenho muitas filhas”. O Imam disse: “Talvez vós desejais que elas morram. Se vós desejais isso, elas morrerão, vós não sereis recompensado no Dia do Juízo e quando encontrardes vosso Senhor, fá-lo-á na condição de desobediente”.
Imam Rida (A) relata que o Mensageiro de Allah (S) disse: “Allah é mais amável para com as mulheres do que para com os homens e qualquer homem que agradar uma mulher que lhe é mahram16, Allah lhe agradará no Dia do Juízo”.
O Mensageiro de Allah foi narrado dizendo: “Aquele que tiver uma filha, Allah o apoiará, o ajudará e o auxiliará na sua ressurreição e (também) o perdoará”.
O Mensageiro de Allah foi relatado dizendo: “Aquele que mantém e dá sustento a três filhas, será recompensado com três jardins no Paraíso, cada qual maior que (todo) o mundo e tudo quanto nele há”.
O Mensageiro de Allah é relatado dizendo: “Aquele que tem uma filha, esta lhe será de mais valia do que mil peregrinações Hajj17, mil jihad pela causa de Allah e mil camelos...”.
O Mensageiro de Allah é relatado dizendo: “O melhor dentre os descendentes são as filhas que observam o Hijab e aquele que tiver uma filha, Allah fará dela a sua proteção contra o fogo infernal. E aquele que tiver duas filhas, por causa delas, Allah o admitirá no Paraíso. E aquele que tiver três filhas ou três irmãs, Allah anulará o seu dever da jihad e (da distribuição) de caridade”.
O Mensageiro de Allah é relatado dizendo: “O melhor dos vossos filhos são as mulheres”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “não há casa com garotas dentro dela sem que desça sobre a mesma, todos os dias, 12 benções e mercês do céu; e as visitas dos anjos àquela casa não cessam de acontecer. Todos os dias e todas as noites eles (os anjos) registram para os pais das garotas a adoração e as orações do ano inteiro”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “Aquele que provê subsistência e sustenta uma ou duas filhas estará junto a mim no Dia do Juízo como esses dois (apontando para os seus dedos indicador e mediano alinhados um com o outro)”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “Aquele que compra presentes e os leva para sua família (sua recompensa) é como a daquele que está levando uma caridade para o necessitado. Quando ele for dar o presente, ele deve começar pelas mulheres antes dos homens. Em verdade, aquele que agrada uma filha é como se ele tivesse alforriado um escravo dentre os filhos de Ismael; aquele que agrada o (seu) filho é como se ele estivesse chorando por temor a Allah e aquele que chora por temor a Allah, Allah o admite no Paraíso”.
O Mensageiro de Allah é narrado dizendo: “Aquele que tem uma filha e não a negligencia, não a insulta e nem favorece o seu filho sobre ela, Allah o admite no Paraíso”.
O Mensageiro de Allah (s) é narrado dizendo “o melhor dentre vós (é aquele que é) o melhor para com vossas filhas e vossas esposas”.
O Mensageiro de Allah (s) é narrado dizendo: “(O Arcanjo) Gabriel continuou me instruindo sobre a questão das mulheres de modo tal que eu comecei a suspeitar que divorciar-se delas seria proibido (sob a instrução de Allah)”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “A mulher é uma reihanah (ser delicado) e não uma qahramanah (guerreiro rude)”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “Basta ao homem o pecado de abandonar aqueles que dependem dele”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “Meu irmão (Arcanjo) Gabriel tem me informado e continuou a me aconselhar acerca das mulheres a tal ponto que eu comecei a suspeitar que o marido dela não possui o direito de lhe dizer (nem mesmo) Fie (uma palavra de desprezo). (O Arcanjo Gabriel disse): ‘Ó Muhammad (dizeis ao vosso povo), temeis a Allah, o Poderoso, (no vosso tratamento para com vossas) mulheres, pois elas são uma (responsabilidade) em vossas mãos. Vós as tomastes com a anuência de Allah, o Poderoso, e tendes a permissão legal de aproximar-vos delas pela palavra de Allah, pelo Seu Livro e pela tradição e lei de Muhammad ibn Abdullah. Elas possuem um direito obrigatório sobre vós em função da permissão legal que tendes de tocá-las. Elas carregam os vossos filhos nos seus corpos até serem dominadas pela dor do parto. Com efeito, sejais amáveis para com elas e fazeis delas pessoas felizes, a fim de que elas fiquem do vosso lado. Não forceis as mulheres e tampouco as aborreceis. Não tomeis delas nada que lhas houverdes dado antes, salvo com a sua permissão e a da sua família’”.
Imam Sadiq (A) é narrado dizendo: “Certa noite, trinta mulheres foram ter com o Mensageiro de Allah (S) se queixando dos seus maridos. O Mensageiro de Allah (S) disse: Estes não se contam entre os vossos melhores”.
O Mensageiro de Allah é relatado dizendo: “O homem é o guardião da sua família e todo pastor é responsável pelo seu rebanho e a mulher é a protetora da riqueza do seu marido e a responsável pela mesma”.
Imam Kazim (A) cita Amir al-Muminin (A) instruindo os seus seguidores: “Por Allah, por Allah, (protegeis) as mulheres e os cativos (sob a vossa autoridade), pois as palavras finais do Mensageiro de Allah (S) foram: Eu vos instruo acerca de dois frágeis (seres): as mulheres e os cativos”.
Há também várias outras tradições que nos instruem a sermos mais prestativos e mais amáveis para com as nossas mães do que para com os nossos pais, visto que a mãe, sendo mais sentimental e emotiva, necessita de mais cuidado e atenção.
Imam Sajjad (A) relata que um homem disse ao Mensageiro de Allah: “Ó Mensageiro de Allah, não há um único ato abominável que eu não tenha cometido (nesta minha vida). Existe alguma maneira de eu me redimir disso?” O Mensageiro de Allah (S) disse: “Algum dos seus pais ainda é vivo?” O homem respondeu: “Meu pai”. O Mensageiro lhe disse: “Vá e seja amável para com ele”. Quando ele partiu, o Mensageiro de Allah (S) disse: “Se ao menos a sua mãe fosse viva”.
Imam Rida (A) é narrado dizendo: “Esteja certo que o direito da mãe é o mais obrigatório dos direitos e o mais mandatário. Pois ela o carrega quando ninguém carregaria outra pessoa, e isso num momento em que seus olhos, seus ouvidos e cada parte do seu corpo estavam absolutamente felizes por causa disso. Ela o carrega a despeito de todas as dificuldades que isso implica e que ninguém consegue suportar. Ela aceita a fome e a sede para que ele esteja alimentado. Ela se conforma que ele esteja protegido sob às suas custas e ele fica protegido pela sombra e ela não. Portanto, todo o agradecimento, toda ternura e toda afeição devem ser dispensados a ela. E, em verdade, vós nunca conseguireis agradecê-la na medida em que ela merece, salvo com a ajuda de Allah”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “O Paraíso se encontra sob os pés das mães”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “Sob os pés das mães existe um jardim dos jardins do Paraíso”.
O Mensageiro de Allah (S) é narrado dizendo: “Se vós estiverdes engajados numa oração voluntária e vosso pai vos chamar, não interrompeis a vossa oração. (Porém), se a vossa mãe vos chamar, interrompeis a vossa oração”.
É relatado que um homem contou ao Mensageiro de Allah (S): “A quem eu devo ser afetuoso?” O Mensageiro de Allah (S) respondeu: “À sua mãe”. Ele voltou a perguntar: “Então a quem?”. O Mensageiro de Allah replicou: “À sua mãe”. O homem perguntou mais uma vez: “Então a quem?” E o Mensageiro de Allah voltou a responder: “À sua mãe”. O homem perguntou de novo: “Então a quem?”. Por fim, o Mensageiro de Allah (S) respondeu: “Ao seu pai e depois aos seus parentes, começando pelos mais próximos”.
É relatado que o Mensageiro de Allah (S) foi perguntado acerca do direito do pai, ao que ele respondeu: “(O seu direito consiste em) ser obedecido enquanto ele viver”. Indagaram-lhe: “E quanto ao direito da mãe?”. O Mensageiro de Allah (S) respondeu: “Quão impossível! Quão impossível! Se os dias do mundo fossem iguais ao número de grãos de areia do deserto de Alaj, bem como ao número dos pingos de chuva e o filho servisse a sua mãe durante todo esse tempo, isso não seria equivalente (nem mesmo) a um único dia que ela o carregou dentro do seu ventre”.
É relatado que um homem perguntou ao Mensageiro de Allah (S): “Quem é a pessoa mais merecedora da minha amizade?” O Mensageiro de Allah (S) respondeu: “A sua mãe”. O homem voltou a perguntar: “Quem mais então?”. “A sua mãe”. Ele perguntou novamente: “Quem mais então?”. “O seu pai”.
1 Alcorão Sagrado, Os Confederados (33): 35.
2 Alcorão Sagrado, Os Confederados (33): 53.
3 Alcorão Sagrado, A Luz (24): 31.
4 Alcorão Sagrado, Os Confederados (33): 33.
5 Alcorão sagrado, A Vaca (2): 228.
6 Pelo autor.
7 Alguns exemplos são citados aqui:
a) Quando o homem morre deixando o pai e uma filha, o pai herda um quarto (25%) da herança, ao passo que a filha herda três quartos (75%) da herança. Nesse caso, a mulher herda uma quantidade três vezes maior do que a do homem.
b) Se um homem morrer deixando o pai e quatro filhas, cada um dos herdeiros receberá o equivalente a 20% da herança.
c) Se um homem morrer deixando uma filha ou um filho, estes receberão toda a herança do pai.
8 Alcorão Sagrado, As Mulheres (4): 11.
9 Alcorão Sagrado, A Vaca (2): 282.
10 Por exemplo, embora ela possa trabalhar e obter rendimentos e, apesar de ela receber herança, ela não é obrigada a gastar o seu dinheiro com ninguém, inclusive com a sua família. A manutenção da família é de total responsabilidade do homem.
11 Alcorão Sagrado, O Gado (6): 151.
12 Alcorão Sagrado, A Ascensão (17): 31.
13 Alcorão Sagrado, O Enrolamento (81): 8.
14 Alcorão Sagrado, As Mulheres (4): 11.
15 Alcorão Sagrado, A Caverna (18): 81.
16 Mulher Mahram para um homem são a sua mãe, suas tias, suas irmãs, suas primas e suas avós. E o oposto vale para as mulheres também.
17 A Hajj que não é obrigatória.